quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

centro yoga darshan


olá a todos! para quem ainda não sabe, o vosso netofilhosobrinhoprimo zé pratas está preparar o arranque de um centro de yoga.

darshan significa visão, neste caso, o centro yoga darshan procura oferecer isso mesmo, uma visão do yoga e da sua vasta riqueza filosófica, científica e prática.

portanto para poderem conhecer o que ando a fazer têm de vir ver! estão todos convidados para dois eventos:

- dia 23 de fevereiro, inauguração para família e amigos. a partir das 19 00, uma aula, sopa, pão e água.

- dia 1 de março, domingo, encontro de yoga integral. a partir das 10 00 até à hora do lanche.

para vir só precisam de confirmar antes.

abraços e beijos, zé
www.yogapt.net

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Prendas de Natal

Querida familia,

apesar de ter calhado a sorte grande (dar prenda a mim) ao cromo do tiago, todos mas todos mesmo podem tambem dar, não uma mas muitas prendas a mim, ok? Fico ansiosamente a aguardar pela tarde de dia 25.....

Nao matem a vossa cabeça a pensar no que me vão dar pois não sou esquisito por isso qualquer playstation3, plasma ou mesmo cadeira de fazer massagens, serve.

beijos e abraços

VIVA O BENFICA!!!
carlos

domingo, 23 de novembro de 2008

Prendas Natal - primos

Prendas Natal - manos

Já dizia o Avô Francisco...


em '93 que "o desporto substituiu o interesse cultural artístico e tudo se ressentiu desde as primeiras décadas deste século."

Palavras sábias! Então vamos lá a inverter a tendência... pronto, vá, em consideração à quantidade de Cordovis que se dedicam ao desporto de alma e coração, procuraremos pelo menos um ponto de equilíbrio!

Ficam todos convidados a passar pelo meu site Caixa de Luz, onde escrevo sobre cinema.

Para quem ainda usa papel e caneta (!), aqui fica por extenso o endereço: http://caixadeluz.tumblr.com/

Abraços


sábado, 15 de novembro de 2008

Novidades da WS Energia (onde anda o C de Cordovil?..)

Com muitas ajudas Cordovis o projecto da WS Energia lá vai para a frente sempre com muitas novidades.
A última foi o lançamento do novo site para vender os nossos produtos e contar algumas das coisas que fomos fazendo www.micro-geracao.com
Dando crédito a mais Cordovis, o site foi feito pelo Diogo Vitorino.

Beijos e abraços

PS: desculpem se ando um pouco desaparecido de lanches e outras actividades Cordovis mas entre teses de Doutoramento, mudar de casa e a empresa estou com muito pouco tempo até dia Dezembro!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CHEGOU O CAMPEAO...

Finalmente cheguei a este fantastico blog,

qero dizer a todos que acho esta ideia fantástica! Vamos poder acompanhar e comentar com a máxima euforia o grande caminho da glória do nosso benfica! Começou bem ontem com a vitória sobre o humilde sporting por 2-0. Pudemos todos festejar no casamento da nossa Diana.

bjs e abraços

carlos "o campeao"

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A minha primeira mensagem


Anos da Mãe Belita no Arrais - 2006

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Exposição (tia) Ana


















Tenho o gosto de convidar para a inauguração da minha exposição no Museu Nacional do Azulejo, dia 2 de Outubro de 2008, pelas 18h e 30m.
Neste dia o Museu inaugura também outras exposições.
O Museu fica na Rua de Madre Deus, nº4, em Xabregas.
A minha exposição estará patente até Dezembro de 2008. Se não poder estar na inauguração, teremos otras ocasiões de nos encontrarmos, dado que vão ter lugar alguns debates, aos sábados à tarde, em torno da exposição.

Com amizade,
Ana Cordovil

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

TEXTO AVÔ FRANCISCO 2





ROMANCE DE NICIA E FRANCISCO
ROMANCE – 1921/84


Aos meus 19 anos, apoz uma vida bastante reprimida, vi-me de repente a fazer-me homem, sozinho no antigo Solar Cordovil, em Évora.

Passei do 8 para o 80, podia ter dado diversos resultados, escolhi o casar, ter um lar, filhos, o continuar com a varonia do meu nome e o dar almas a Deus.

De temperamento bastante individual, necessitava de uma noiva para mim mas que eu pudesse moldar à minha sensibilidade e formarmos um casal.

Podia escolher um pouco, bastantes Mamãs viam com bons olhos este rapaz magricela, mas que tomava a vida a sério e com possibilidades financeiras e com bom nome.

Durante 2 anos hesitei, mas prudentemente só pela certa me resolveria.
Tive possibilidades, mas por acaso, sem pensar na eleita, pois ao chegar a Évora, me disseram que a Nícia era pretendida por um amigo, já que as Famílias eram muito íntimas e o desejavam.

Conheci-a assim só numa festa de carnaval, em que ela vestia “à russa”, com os lindos cabelos caídos.

Quasi me não chamou a atenção, pelo motivo já exposto e porque sendo a 1ª festa a que ia, estava muito tímida.

Tempo passado, a Nícia se tornou na maior amiga da minha Irmã, e vi que tal boato não se concretisava e ela, apezar de discreta e tímida, mostrava uma simpatia especial por mim, talvez pela intimidade com que nos viamos.
Era alta e bem feita, sem ser uma beleza era uma menina interessante e simpática.

A Mãe sem gosto, a vestia à antiga sem fazer ressaltar a sua juventude, tinha só 17 anos, mas assim vestida parecia mais.

A minha Irmã falava-me muito d’ela, com admiração, e dizendo-me que entre todas as casadoiras, ela era a mais sensata, mas com aquelas roupagens não me fascinava o suficiente para um todo o sempre.

Foi no verão para o Algarve, fizeram-lhe uns vestidos mais proprios para a sua edade, e ela abriu naquela sociedade, a melhor da Praia da Rocha, tornando-se desenvolta, ainda que mantendo-se tímida e discreta.

O seu Pai teve uma grave doença, todos ficamos impressionados com a sua Família, e reparei quanto era uma boa filha, sensível e sã.

Eu, na Casa Cordovil, recebia a mocidade mais selecta, todas as 2ª feiras, cada levava qualquer coisa, eu dava o chá e assucar e a sala com gramofone.

Ela frequentava essas reuniões, e a 30 de Outubro, estando o Pai melhor, ela apareceu com a sua Madrinha.

Ficamos encantados das melhoras do Senhor José Camara, e eu recebi a Nícia instintivamente om mais afeição.

A minha creada que vinha espreitar à festa, me disse que eu só essa noite tinha dansado com ela 17 vezes.

No fim do ano houve uma reunião no Club de Évora, e a minha Irmã correu à minha procura a dizer-me, a Nícia hoje traz um lindo vestido, vem muito bem, parece outra.

Reparei então, que vestida à rapariga, e com outro à vontade da sociedade, seria bem possível tornar-se numa Senhora bastante atraente, mas se a vi com outros olhos, não tomei nenhuma resolução.

Fui com uns amigos à Igreja do Convento Novo, no Largo de Aviz em Évora, e começaram a dizer-me que pedisse 3 coisas, por ser a 1ª vez que ali entrava.

Pedi à alma da minha querida e saudosa Mãe, que me d’esse uma indicação para eu me decidir e assim pedi-lhe, que entre as que eu andava hesitante, fosse a 1ª que viesse.

Saímos da Igreja e logo de seguida a encontramos, e eu vi que seria essa que a minha Mãe desejaria para mim.

Estava a fazer dentro de dias, os meus 21 anos, dia em que receberia a herança que me estava destinada.

A minha Família andava entusiasmada para que eu a escolhesse, e eu prometi que à volta me decidiria.

A 22 de Janeiro voltei a Évora, não rico, mas com o suficiente para poder casar.

Gostando imenso de decorações tinha comprado algumas coisas, entre elas uma colcha velha, em linho pintado à mão.
Cheguei a meio da tarde e todos me perguntaram o que decidira.
Resolvi-me pela Nícia. Foi um delírio, disseram-me que vinha n’essa noite lá a casa, pois andava a aprender uns trabalhos de renda, ia com a minha Irmã e depois vinham trazê-la.

Ao chegar, mostrei a minha colcha e a minha Tia Tuta que estava lá, disse para irmos dansar, pois os dedos estavam a pedir-lhe que fosse para o piano.

Fomos, comecei a dansar com a minha Irmã, e logo a deixei para dansar com a Nícia. Ela nunca foi boa bailarina, mas ao ir para os meus braços, toda tremia. Disse-lhe então, “sabes pensei em casar, e pensei em ti”. A tremura redobrou.
Disse-lhe logo, “não quero que me respondas agora, mas que te aconselhes com os teus, eu a começar um namoro, o considero um noivado a sério”.

No dia seguinte fomos como de costume à missa das 11h à Igreja da Misericórdia, era um domingo.
À saída, logo me disse, já falei com a minha Mãe e Madrinha e acharam bem. Não foi surpresa para mim, quasi todas as famílias me desejavam.

Logo se combinou o irem à tarde para o jardim da casa Cordovil, com as respectivas Senhoras, de ambas as Famílias.

Assim começou a sério o meu namoro, com o noivado oficial a 30 de Abril, e casamento a 22 de Novembro, 10 meses curtos, entre a declaração e o casamento.
As famílias, de parte a parte, receberam a notícia com regojizo e muita amabilidade, tudo foi rápido como eu o desejava.

Assim começou um romance feliz, e já com 63 anos de casados, com 9 Filhos batizados, 29 Netos e 32 Bisnetos, com um outro a vir, continuamos a ser um casal.

Como toda a gente, temos tido dias bons, dias óptimos, dias menos bons, mas envelhecendo em comum.
Na casa dos 80, o romance não tem o ardor, mas a amisade perdura, e espero, para sempre ela continue.

Bendito Jesus e Maria, e a alma da minha Mãe nos recebam um dia, quando chegar a fatal hora da partida.

Texto enviado pelo Avô Francisco à Querida Neta Ana Mota, em resposta a um pedido que ela lhe fez em 23 de Dezembro de 1984.

Na carta, que acompanha este texto, escreve o Avô Francisco:
“Oxalá este Romance continue nos Netos e Bisnetos, a servir de recordação dos velhos Avós Cordovil”.

A ALEGRIA DO TIAGO

PRECISO DE AJUDA




























Tudo começou há muitos anos atrás, quando para minha infelicidade conheci alguém desta família.





















Parecia ser o tipo de mulher que eu andava à procura.

Seria certamente uma esposa afável e dedicada ao marido.

Está decidido, é com esta fada do lar que vou casar.























































Se isto fosse uma história normal, acabaria com um casámos e fomos felizes para sempre. Mas não, casámos e começou a minha desgraça!!!

Ela não sabe fazer nada!

Talvez eu estivesse a ser muito exigente.

Resolvi, então, fazer uma lista com alguns aspectos que considero fundamentais e classificá-los de 0 a 20 valores:

- Cozinhar – 0
- Outras lides domésticas – 0
- Ponto cruz – 0
- Só falar quando solicitada – 0
- Prontidão para apanhar porrada – 0
- Deixar-me dormir – 0
- Ser milionária – 0
- Não ser chata – 0

Era escusado continuar com a lista. Como vêem deparei-me com uma situação extremamente difícil. Mas o pior de tudo é que ela só quer estudar, estudar, estudar!

Depois de muito pensar, decidi que o cérebro dela tinha de deixar de funcionar.
















































Virei-a de cabeça para baixo,



























transformei-a em loira,













































MAS NADA RESULTOU!

A única solução era fugir.






















































Fugi para o deserto,


































para a selva








































































e até para debaixo de água



































































MAS ELA ENCONTROU-ME SEMPRE.















































Infiltrei-me em seitas,




mudei de visual,



e até de sexo.







































































TAMBÉM NADA RESULTOU




























































Tentei até atirar-me de um precipício











































mas ela não me deixou





















































































Se alguém tiver alguma solução para o meu caso, diga-me , porque eu preciso de ajuda.



































INICIO DAS VIAGENS DA ANA GAIVÃO




O INÍCIO DA MINHA EXPERIÊNCIA COMO ESTUDANTES NO UWCAD

O meu nome é Ana Gaivão Cordovil e fui a candidata escolhida, pelo Comité Português dos UWC, para representar Portugal no UWC do Adriático, em Itália, no ano de 2001.

Quando, há aproximadamente um ano, decidi concorrer a uma bolsa de estudo para um dos UWCs, não fazia a mínima ideia do que a minha vida ia mudar em tão pouco tempo.
Os meus conhecimentos acerca do movimento UWC, como o da maioria das pessoas em Portugal, era completamente nulo e as informações que recolhi através da Internet eram todas demasiado impressionantes para serem verdade. Tudo me parecia indicar que era um mundo perfeito e todos sabemos que isso não existe.

Depois de ter sido seleccionada passei por um período de reflexão, no qual tive que decidir se isto era realmente aquilo que queria e se estaria preparada para o enorme passo a que me propunha: sair de casa, ir viver para Itália, num meio em que não conhecia ninguém, com um inglês um pouco fraco e tentar conviver com pessoas de mais de 70 nacionalidades diferentes. Depois de um período intensivo de procura de informação e conversação com outras pessoas que tinha passado pela mesma experiência e com a minha família decidi que, após ter sido seleccionada, o único passo que poderia dar era vir, pois de outro modo nunca me perdoaria a mim própria por aquilo que tinha deixado escapar.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que cheguei a Duino e me senti num mundo completamente estranho. Todos eram extremamente atenciosos e assim que viam alguém novo vinham logo apresentar-se e dizer “Olá!! Eu chamo-me....., sou de..... Está tudo bem contigo? Já viste o teu segundo ano? Se precisares de alguma coisa é só dizeres. Não queres vir connosco ao Mickey beber um cappuccino?”. Só com um olhar podia-se dizer quem eram os primeiros anos e os segundos. E não era só por estarem mais à vontade ou por serem mais velhos ( o que não acontece em alguns dos casos). Pareciam mais maduros, mais preparados para comunicar. Agora que já estou aqui há alguns meses, consigo perceber perfeitamente o porquê dessa diferença, uma vez que, até certo ponto, ela já se operou em mim.

Sempre ouvi dizer que as pessoas só crescem quando lhes é dada responsabilidade, mas nunca me tinha apercebido até que ponto é que isso é verdade. Embora todos no colégio sejam extremamente atenciosos e sempre que necessário façam tudo para resolver os problemas, aqui quem é responsável pela nossa vida somos nós e da nossa decisão está dependente todo o nosso percurso aqui. Contudo, ao longo do tempo vamo-nos apercebendo que quanto mais livres somos de escolher, mais responsáveis nos tornamos e podemos ir mais longe nas nossas aventuras.

A vida no colégio não é fácil, mas não deixa por isso de ser maravilhosa e compensadora. È verdade que há dias em que só apetece não sair da cama e estar em casa ao pé dos nossos, mas estes não se comparam com aqueles em que sentimos que fizemos algo de positivo e que o nosso dia serviu de alguma coisa, tanto para os outros como para nós próprios.

No colégio temos também o poder de escolher aquilo que queremos estudar e fazer enquanto actividades académicas. Embora possa parecer que seja muito cedo para tomarmos essa decisão, na maioria dos casos que tenho observado, todos os estudantes se mostram muito contentes com as suas escolhas, mesmo que um dia sigam um caminho um pouco diferente nos seus estudos. A verdade é que temos algumas disciplinas obrigatórias e que nos dão uma formação base bastante boa. Por outro lado, uma das coisas que me fascinou mais em relação ao modo de ensino no colégio foi o facto de, mais do que quererem que absorvamos todos os conhecimentos do Mundo, estimulam-nos a pensar e a tirar as nossas próprias conclusões dos dados que nos são apresentados. Outro dos aspectos bastante focados pelo programa é que todos nós saiamos daqui com capacidades comunicativas, tanto escritas como orais, e que saibamos estudar. O curriculum aposta num número de horas de aula menor do que o praticado em Portugal, mas com uma componente mais forte de trabalho extra-aula, tanto em grupo como individual.

Para além da componente académica cada aluno deve participar em actividades físicas, actividades estético-criativas, serviço social e serviço para o colégio.
A nível de actividades físicas e estético-criativas a escolha é muito variada e, na maioria dos casos, o difícil é escolher aquela que se prefere.
Actualmente estou a praticar Yoga, um desporto que se revelou de extrema utilidade aqui no colégio onde stress é a palavra mais comum.
Como actividade estético criativa frequento “Maneiras de Ver” que consiste em assistir a apresentações sobre arte (períodos, autores, regiões, culturas, religiões) e participando na discussão. Esta última tem sido de grande utilidade para conseguir apreciar melhor as viagens que tenho feito e em que tenho podido observar algumas da maravilhas do Mundo.

O serviço para o colégio e o serviço social visam criar em nós uma responsabilidade colectiva e social e também despertar a nossa atenção para o que nos rodeia.
O serviço para o colégio é uma parte essencial do colégio, pois só assim é possível organizar a imensidade de coisas que estão sempre ao nosso dispor. Todos colaboramos para isso e sentimo-nos bem por ser parte integrante e necessária para que o colégio sobreviva.
Neste momento realizo três serviços sociais, embora em breve tenha de abdicar de um deles, pois requerem bastante tempo e atenção de que eu agora não disponho devido à entrega que o estudo me requer.

O primeiro que iniciei foi “Agricultura”. Nesta zona de Itália o número de pequenos agricultores é muito elevado e muitos deles têm verdadeiras dificuldades. A nossa função é ajudá-los em tudo o que precisarem. Realizamos imensos trabalhos diferentes, mas o que nos dá força é o agradecimento que vemos nas suas caras quando os ajudamos a fazer algo que sem a nossa ajuda seria difícil de realizar.

O meu segundo serviço social consiste em ir com uma amiga italiana passar uma tarde com um casal de idosos que vive aqui em Duino e que, embora as suas faculdades mentais estejam óptimas, têm dificuldade em se mexer e sair de casa. As horas que passamos com eles sinto-as como se as passasse com os meus avós. Aquelas pessoas só querem um pouco de atenção e estão dispostas a dar tanto. Contam-nos coisas da sua vida, ensinam-nos história, perguntam coisas sobre nós. É impressionante ver como apenas algumas horas da nossa semana são tão esperadaspor aqueles senhores que nos esperam.

O último serviço social que tenho consiste em ir a uma casa de saúde para idosos e auxiliar as enfermeiras a alimentar os idosos que já não o conseguem fazer sozinhos.
Quando pela primeira vez ouvi falar em serviço social fiquei um pouco desconfiada e até achei que seria uma perda de tempo quando temos tanto para estudar, mas agora o serviço social é das partes mais importantes da minha semana e algo que percebo me está a ajudar a crescer e a formar-me mais enquanto pessoa do que qualquer escola do Mundo.

Uma das actividades mais importantes do colégio é a realização das semanas nacionais. Como seria impossível realizar uma semana para cada país, os países encontram-se agrupados e de dois em dois anos o calendário repete-se, para que todos possamos assistir a todas as semanas.

A semana em que Portugal está incluído, com os países da América Latina e Espanha, teve lugar este ano e foi impressionante. Todo o trabalho que foi necessário para organizar as coisas durante a semana e para fazer o show uniram-nos tanto, que aquelas pessoas vão obrigatoriamente ficar no meu coração para sempre.
Até agora já tive oportunidade de assistir também à semana Nórdica e à semana Balcânica. As duas foram extraordinárias e muito interessantes, pois é uma boa oportunidade para se conhecer melhor a cultura de todos esses países.

No entanto, ainda não falei das experiências que me marcaram mais aqui no colégio: as viagens que fiz na companhia de amigos. Ao longo do primeiro período de aulas tivemos dois fins de semana de três dias (uma vez que não temos feriados) e em ambos viajei com amigos do colégio.

No primeiro fim de semana fui a Florença com um grupo de seis pessoas: dois espanhóis, uma filipina, uma croata, uma americana e uma rapariga de Singapura.
No segundo fim de semana fui a Salzburgo juntamente com mais sete amigos: um norueguês, um canadiano, dois americanos, uma argentina, uma italiana e um canadiense.
Estes dois fins de semana posso considerá-los como os mais emocionantes, aventureiros e ricos que já vivi até hoje. Aquilo que nos é pedido, quando temos de cuidar de nós próprios e organizar tudo, é algo que só assim se aprende. Foi fantástico conhecer cidades lindíssimas com pessoas espectaculares.
Acho que estas duas viagens são os melhores exemplos que eu consigo arranjar para exemplificar o nível de envolvimento que se estabelece entre pessoas de mundos tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidas. Lembro-me de quando cheguei ao colégio dizer “ A Maria Lis, da Argentina”, o que agora só poso dizer como: “A Maria, a minha amiga”.

Talvez aqui esteja mais ou menos explicado o que se pode fazer num UWC e se pode compreender porque não é fácil arranjar tempo para tudo. É uma das principais coisas que se aprende num UWC, a fazer em 1 hora aquilo para que precisavas 5. O tempo aqui é escasso e as actividades muitas. Uma vida muito agitada, mas extremamente atraente.

Resumindo, o que é um UWC? Pois aí está uma pergunta à qual não consigo responder e duvido muito que alguém possa: cada um vive a sua própria experiência, não há duas iguais. Mas acho que há algo que pode dar um bom exemplo do que é esta escola. Lembro-me de antes de partir de Portugal alguém me perguntar: “Mas é uma escola normal?”. Agora sei que a resposta que dei não era a correcta. Não, um UWC não é uma escola normal. É um lugar onde se aprende a crescer, a estudar, a aprender a compreender os outros e ,mais importante, a tentar compreendermo-nos a nós próprios.

Ana Gaivão Cordovil



TEXTO MIGUEL MATOS




A IMPORTÂNCIA DE ESTARMOS MAIS PERTO

Gosto desta ideia. Gosto muito desta ideia.

Aquele que um dia idealizou um mundo em que os Cabrais e os Cordovis trocassem experiências de uma forma tão próxima só pode ser um Matos! Parabéns ao Criador! Obrigado, eu agradeço.
Reconheço, porém, que mais importante que esta genialidade (que brota de dentro de mim com a naturalidade com que o rio brota da sua nascente) foi o labor dessas duas empreendedoras formiguinhas que são a minha Mãe e a minha prima Marta. Parabéns e obrigado.

Estamos todos mais perto. Confesso que estou ansioso por começar a ver os efeitos práticos de tudo isto. Não vai ser um sucedâneo dos lanches cordovis ou dos telefonemas, cartas ou visitas entre primos, irmãos, pais, tios ou avós. Vai ser mais uma forma de nos mantermos em contacto e de nos conhecermos, a todos, cada vez melhor.

Aqui teremos a liberdade de dizer os disparates quando eles nos passam pela cabeça, de largar as mágoas quando elas apertam ou partilhar as alegrias que nos invadem, de matar as saudades assim que as sentimos ou de satisfazer as necessidades quando temos lata…Ó mãezinha, quando é que me aumentas a mesada???
Acho que esta “folha” é uma bela forma de acompanharmos as mudanças e os progressos que nos rodeiam. Desta forma servimo-nos das novas tecnologias para reaprender hábitos de tempos antigos, tempos em que as pessoas tinham mais tempo e disponibilidade para trocar experiências e emoções.

O mundo de hoje é uma corrida. Uma rápida corrida em que, na ânsia de chegarmos cada vez mais longe, pouco olhamos para aqueles que correm ao nosso lado. Porque muitas vezes esquecemo-nos que aquele que está ao nosso lado, pela vivência da sua corrida, nos vai ajudar a chegar cada vez mais longe.

Às vezes tenho pena de não ser “mais” Cordovil. Porque acho que esta família, pela forma como vive em união permanente, independentemente de todas as dificuldades que a tal corrida levanta, é um exemplo de companheirismo e de dedicação ao próximo. Esta irmandade que a todos nos une, sob a égide da leoa Avó Belita, impressiona (e às vezes até deve assustar!) aqueles que a nós se vão unindo, pelos próprios laços da família ou da amizade.

Tenho pena de não ser, de entre os nossos, dos mais fervorosos intérpretes desta premissa Cabral Cordovil. Não que não a sinta dentro de mim, mas porque cedo demasiadas vezes às exigências da tal corrida.
Penso que este espaço vai tornar mais fácil a conciliação entre a minha corrida, a Vossa corrida e a maneira de ser Cabral Cordovil. Vamos estar todos mais perto.
A sensibilidade Cabral Cordovil proporciona uma forma muito própria de estar na vida. Não a procurarei descrever, porque sei que todos a conhecemos e sentimos, mas anseio que outros a transponham para este espaço. Quando em ocasiões especiais, como os meus anos ou o Natal, recebo escritos da minha Mãe ou do Tio Zé (cujas espantosas cartas espero que não acabem por se preparar o fim da distância…) sinto um arrepio muito forte que invariavelmente me fragiliza de uma forma assustadoramente bondosa… É uma sensação única descender e estar rodeado

de pessoas cuja sensibilidade é tão especial.
Que este espaço sirva então e também para perpetuar as palavras de todos nós, dos mais novos aos mais velhos, dos mais disponíveis aos mais ocupados, dos mais expansivos aos mais tímidos…
Mais uma vez, obrigado Mãe e Marta!

Miguel Cordovil Matos

PS – Este espaço também serve para, pura e simplesmente, dar-mos notícias uns aos outros, à medida que vão acontecendo. Fui escrevendo este texto entre pausas aqui no escritório e, entretanto, vi o meu pé engessado por 5 semanas! Foi num jogo de futebol entre amigos e a lesão é uma entorse da tibio-társica que afectou os ligamentos. Nada de grave, se Deus quiser. O que é certo é que já não vou ao Mundial.



TEXTO AVÔ FRANCISCO

DIVAGANDO 93

Eu vivi na época frívola da cultura geral, sabia um pouco de tudo, superficialmente, com poder de adaptação, alicerces mas sem a profundeza de uma especialidade científica, as letrinhas dessa cultura davam o encanto da conversa de sala.

Fui um europeu, mas já se esboçava a cultura vinda da América, destreza diária de uma especialidade mecânica, dizia-se, uns só fazem parafusos, outros só porcas, a industrialização aperfeiçoada em profundidade, é o que era, o operário especializado.

Foi nessa altura que o desporto substituiu o interesse cultural artístico e tudo se ressentiu desde as primeiras décadas destes século.

Hoje um jogador de futebol ganha mais e é mais conhecido, do que um escritor, é que as artes ficaram sem esboço e a música sem movimento e sem contraponto, tudo é vago, a adivinhar-se e a fazer pular o coração em excitação.

Agora não se conversa, discute-se tudo. Com calor, subindo de tom as conversas com o entusiasmo do movimentado jogo, e o prazer está em fazer um “golo”, há abraços canecas de cerveja e comentários.

Falar de arte, divagações de fé, ou balbuciar valores é tudo um fardo de fazer sono.
A arquitectura já não tem escultura, a escultura é só a combinação geométrica, sem desenho de pormenor.
Como sobreviver nesta viagem? Adaptando-me! Mocidade que tive, velhice que vivo.

Escrito do Avô Francisco em Outubro de 1993
Nota: O Avô Francisco (sobre)viveu desde 1900 (6 de Janeiro) até 1994 (apesar dos prognósticos de vida breve e frágil desde o seu nascimento).
Este texto é demonstrativo da sua atenção ao mundo e das mudanças que protagonizou, cada parágrafo daria para muitas conversas e está cheio de questões bem actuais. Recorda-me o prazer que tive nalgumas conversas que alimentámos nos seus últimos anos de vida.